02 dezembro 2011

voluntariado


Subo pelo elevador, com meu jaleco azul de botões coloridos, mentalizando sobre todas orientações passadas no treinamento. Estou prestes a começar meu trabalho de voluntariado. É necessário fazer a transição de enfermeira prá voluntária (e acreditem essa é uma parte bem difícil prá mim!). Ao chegar no andar, as portas se abrem e já de frente me deparo com uma bela árvore colorida, pintada a mão, repleta de frutos. Bem diferente dos outros hospitais com pintura neutra, percebo ser esse um ambiente especial, uma estrutura bem preparada, que por si só transmite acolhimento! Posso já sentir o "cheiro hospitalar". Caminho pelo corredor até acessar a área dos quartos, e esses encontram-se em posição de círculo, todos com vidros, o que facilita o contato visual. Me deparo com 09 leitos, com crianças em fases diferentes de tratamento, bem como em idade entre 1 a 15 anos. Decido por entrar no quarto da **  - uma garotinha linda de 5 anos que está sentada no leito recebendo antibiótico, após tratamento de leucemia linfóide por quase 3 anos. Ela mal percebe minha chegada, enquanto pinta com tintas guache. Me apresento e tento criar um diálogo mostrando um desenho a ser colorido e sem me dirigir os olhos ela concorda em "brincar comigo". Retiro da bolsa uma dúzia de lápis e uma folha com desenho de um jardim repleto de flores (tenho paixão por plantas e jardins, aqueles que você planta, cuida, vê crescer e florescer - farei post sobre) e daí começamos a pintar, dividir lápis, trocar palavras... coisas simples e de significado incontável! A hora se apressa e chega o momento de despedir... com beijo no ar (pacientes oncológicos devem ser ‘preservados’ de maiores contatos), uma pena porque a vontade verdadeira é por abraçar!
Saio do quarto com sensação de dia especial, momento único de vida! 


Hoje faço parte da família Boldrini. Decidi por dedicar algumas horas por algo que dá sentido especial prá minha vida e que já se mistura com minha história! Desenvolver o voluntariado em um hospital de atendimento oncológico infantil tem sido um privilégio tamanho! A instituição é filantrópica, sendo que 80% dos pacientes são tratados pelo SUS, um exemplo de compromisso social! Lá eles detém um centro de pesquisa vinculado à Unicamp, na busca por novos caminhos de tratamento. O atendimento aos pacientes segue com base humanizada, e isso já notado de imediato, desde a entrada!


Diversos campos de ação estão disponíveis: acompanhamento escolar, capelania (minha escolha!), oficina de capacitação, recreação, terapias de suporte, força jovem, central de doações, entre outros tantos...


Aqui vai uma foto do prédio principal:



De tudo que presencio e compatilho hoje, uma expressão daquilo já tem sido:


"O espírito se enriquece com aquilo que recebe. O coração, com aquilo que dá." VH